O formato da missa encontra suas raízes na “Escola da Palavra”, criada pelo Cardeal Carlo Maria Martini em Milão, nos anos 1980. Em meio às inquietações de um mundo cada vez mais apressado e secularizado, nascia ali um convite simples e profundo: voltar à Palavra de Deus como quem retorna a uma fonte. Martini desejava que a fé deixasse de ser apenas herança recebida e se tornasse experiência viva, assumida com liberdade, consciência e compromisso, uma fé capaz de florescer em justiça, serviço e amor aos irmãos e irmãs.

A primeira semente dessa experiência foi lançada durante um retiro para jovens na Casa de Retiros Manresa, na região de Île-de-France. Ali, no silêncio da oração e da escuta, começou a tomar forma uma maneira diferente de celebrar: menos marcada pela pressa, mais aberta ao tempo de Deus. Alguns anos depois, em 1999, a pedido do Provincial dos Jesuítas para renovar a pastoral juvenil da Igreja Saint-Ignace, em Paris, nasceu a “Missa para Escutar a Palavra”, celebrada aos domingos às 19h. Foi então que, espontaneamente, um participante lhe deu um nome que permaneceria na memória de muitos: La Messe qui prend son temps “a missa que leva tempo”, “a missa que demora”, ou ainda, “a missa que não tem pressa”.

O que começou como uma experiência local atravessou fronteiras, espalhou-se por diversas comunidades jesuítas na França e em outros países, até chegar ao Brasil com o nome Missa Convivium.

Sua proposta é simples e profundamente humana: prolongar a liturgia da Palavra para que ela possa descer da mente ao coração. Após a proclamação do Evangelho, o presidente introduz o texto sagrado; cada participante recebe um roteiro e parte em busca de um lugar de silêncio, levando consigo o convite de Inácio de Loyola de “sentir e saborear internamente” as Escrituras. Depois da oração pessoal, a assembleia retorna para partilhar as ressonâncias da Palavra na própria vida, deixando que aquilo que foi ouvido se torne encontro, testemunho e comunhão. Em seguida, a liturgia eucarística continua seu curso, como um rio que reúne diferentes águas em uma mesma fonte.

Mas a celebração não termina com a bênção final. Ela se prolonga na conversa tranquila, no pão repartido, nos rostos que se tornam familiares, nas amizades que nascem ao redor de uma mesa simples. Porque a Palavra de Deus, quando verdadeiramente escutada, cria comunhão, sustenta a caminhada e envia em missão.

Como dizia o Cardeal Martini:

“Estou convencido, quanto a mim, de que para um cristão de hoje, na sociedade ocidental complexa, difícil e secularizada, é praticamente impossível perseverar na fé sem também se alimentar pessoalmente da Escritura. Como a memória dos cristãos poderia ser iluminada pelo Espírito da pessoa de Cristo sem uma escuta profunda da Palavra?”

Datas confirmadas:

Endereço: SGAN 601, Módulo D, Asa Norte, Brasília/DF

Participação gratuita - não é necessário inscrição