Experiência missionária uniu fé, escuta e presença junto às comunidades rurais e urbanas do Araguaia
Por Daniel Romano, via Centro MAGIS Burnier
Entre os dias 31 de março e 6 de abril, a missão Ad Amorem, realizada pelo Centro MAGIS Burnier, desembarcou na Paróquia Santa Terezinha, na Prelazia de São Félix do Araguaia, para vivenciar a Semana Santa junto às comunidades locais.
Foram dois dias de viagem a partir da capital federal, com uma parada fundamental em Porto Nacional (TO). No meio do caminho, o grupo foi acolhido pelas irmãs dominicanas, pernoitando em seu noviciado antes de seguir para a etapa final do trajeto. Ao chegarem à paróquia, os missionários foram articulados por Gigliane Leite, coordenadora de pastoral local, que organizou a atuação da equipe em três comunidades rurais e na zona urbana, garantindo que a mensagem pascal chegasse aos locais de mais difícil acesso.
Estar naquela terra não é apenas uma experiência missionária, mas um verdadeiro encontro com uma história marcada pela profecia e pela fidelidade ao Evangelho. A Prelazia de São Félix do Araguaia carrega a memória viva de testemunhas que, à semelhança de Dom Pedro Casaldáliga, fizeram de suas vidas uma entrega radical em defesa dos pobres, dos povos originários e dos trabalhadores do campo. É um chão sagrado, regado pelo suor, pelas lágrimas e, não poucas vezes, pelo sangue de homens e mulheres que assumiram as lutas diárias pela dignidade como expressão concreta da fé.
Inserir-se nesse contexto é, portanto, deixar-se interpelar por uma Igreja que nasce do povo e com o povo, onde a Palavra de Deus ganha carne na resistência, na esperança e na organização das comunidades. A missão, ali, deixa de ser apenas ação e se torna também escuta, memória e compromisso: uma participação humilde na longa história de um Evangelho vivido até as últimas consequências.
Ao longo da semana, os missionários integraram-se à rotina dos moradores, promovendo celebrações e momentos de escuta ativa. Essa imersão permitiu que a espiritualidade se fundisse com a realidade social da região, criando um espaço de troca mútua entre os jovens e as famílias do Araguaia. A missão não se limitou apenas aos ritos religiosos, mas estendeu-se ao fortalecimento dos vínculos comunitários, reforçando a ideia de uma Igreja em saída.
Para o missionário Sandro Alves, de Catalão/GO, a experiência deixou marcas profundas: “Foi muito bonito viver a comunidade que fomos formando ao longo da missão. Cada risada e partilha ecoam e produzem frutos”.
De volta a Brasília, o grupo trouxe a certeza de que a vida em comunidade é um sinal de esperança no seguimento de Jesus, reafirmando que cada passo desta missão foi dado, verdadeiramente, por amor.









